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BLOG DO MENEZES
 


PREFERÊNCIAS MUSICAIS

 

Leitores atentos, viajantes, pacientes, fiéis e partidários do silencioso movimento dos slow bloggers como eu, não desistam. 

 

Fiz hoje o meu perfil na LAST FM e estou goforitzado com mais essa possibilidade das chamadas redes sociais na internet. Escolhi o que quero ouvir, escuto listas dos caras que eu mais gosto, tenho e posso manter contato com pessoas que não conheço e que podem estar em qualquer lugar do mundo, que podem ter um gosto parecido com o meu. Posso escrever sobre as bandas e os caras que, eventualmente, ainda não têm um perfil. Comento sobre determinada música. Se quiser, posso dividir os meus gostos com mais gente, o que é sempre complicado na música. Ainda assim, tenho grandes ou pequenas compatibilidades com pessoas que eu nunca vi ou que conheci hoje, ontem ou que conheço desde sempre.

 

 

Não importa. Ouço uma espécie de web rádio em um site de compartilhamento de interesses que eu fiz, com a minha setlist , disponível para você, leitor, amigos, interessados e “ficantes” virtuais. É o máximo. Ouça, sob o meu patrocínio estético, Laura Veirs, Iron & Wine, Prefab Sprout , Rolling Stones, Beach Boys, R.E.M. e o resto da minha lista particular na LAST FM – e também um pouco do que sou, por ora e por enquanto, não é assim nessa maldita rede que nos captura a todos ?

 

Esteja comigo. Fique comigo. Eu quero e desejo você. Venha para mim, mesmo que a gente nunca se encontre. Até ontem, essa mensagem seria impossível. Hoje, quando tudo é possível, encontrar alguém que compartilhe do meu mesmo gosto musical é relativamente fácil. Nos encontramos nos tags e outros artifícios engenhosos da rede.

 

 

 

Agora, por exemplo, estou ouvindo na LAST FM Lloyd Cole, a Oquestra Baobab e Bugge Wesseltoft. É o único lugar onde isso acontece: um dos melhores cantores-compositores que eu conheço, o melhor do pop africano e o jazz daqui para a frente com Bugge.

 

Viva você. Viva eu. Viva todos nós. Viva esse novo mundo. Viva a LAST FM. Viva o que ainda não sabemos e temos a chance de aprender. Viva o que temos interesse em aprender. Viva o que a gente ainda tem capacidade de procurar. Viva o Iron & Wine que estou ouvindo agora.  

 

 

Estou pensando seriamente noTwitter, vocês se importariam e me seguiram, sem abandonar o blog, o Orkut, a Last FM  e Salif Keita ? Ou deveria ir para o Facebook, o Hi 5 ou o My Space ?

 

Por ora, vou ficar onde estou, ao lado de Salif Keita – o que me conforta e me faz pensar lá na frente. E tem Lloyd Cole, que é sempre um conforto necesário.

 

Taí, galera: http://www.lastfm.com.br/user/blogdomenezes

 

 

 

 

 



Escrito por sergio menezes às 04h22
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A NOSSA VERGONHA DE TODOS OS DIAS

 

Mais uma crônica certeira do Nelson Motta, publicada no último dia 27 no seu Sintonia Fina. Para encerrar o longuíssimo mês de março, manter a indignação e a revolta em dia, ainda que não façamos nada. Sigamos até a próxima atrocidade verbo-ideológica do presidente-improvisador e até a reunião do G20 na próxima quinta-feira. Vamos em frente até a quebradeira geral bater em nossas casas, subtrair empregos e salários e consolidar a insegurança em que já vivemos há muito no Brasil, em todos os sentidos e direções.

 

A inação e o silêncio só servirão para nos apequenarmos cada vez mais, para dar razão aos patrões que demitem sem culpa e nenhuma consciência em um momento, no mínimo, delicado. Mas a vida, hoje, não está para delicadezas. Nunca esteve. Tudo parece cada vez mais brutal: a cobiça, a ganância, a desigualdade, a inocência, a ignorância, a desfaçatez, a intolerância e o silêncio.

 

Essa é minha única vida – e o mundo do qual sou obrigado a me lembrar. Por enquanto, o saldo total é cada vez mais negativo. Também faço muito pouco ou quase nada, mas tento, aqui e ali, dizer alguma coisa entre as pessoas com as quais tenho contato. É uma ação insuficiente, com pouca efetividade prática. Mas eu grito, me desespero com duas filhas para criar, centenas de alunos para me ouvir, a vida para ser resolvida todos os dias e poucas direções para dar, até para mim mesmo. É hora de agir, porque quero contar uma história diferente para minhas filhas – e não aquela ladainha deprimente de que não tive opções. Posso não ter agora, mas vou dormir pensando nelas. Amanhã, espero ter outra história para contar. Façamos. É isso e quase tudo.

 

Intocáveis e invencíveis

 

Não tenho mais nenhuma ilusão de um dia ver algum desses criminosos travestidos de parlamentares atrás das grades e devolvendo o que nos roubou. Eles são muitos, e invencíveis. Sob fogo cruzado de denúncias, juntam-se para se defender, como fizeram PT e PMDB no Senado, embora digam sempre que é pela instituição, a mesma que eles aviltam e apequenam com seus atos.

 

O dinheiro roubado de nossos impostos, teoricamente, pode até ser recuperado, mas o crime de desmoralizar uma instituição democrática não tem preço.

 

O que nos resta? Confiar na Justiça? Na Polícia? No ladrão? Com Sarney e Renan comandando o Senado e espantados com a descoberta das 181 diretorias? A maior parte foi criada pelos dois. O resto, por Jader, ACM e Lobão. E pior. Foram criadas por resoluções da Mesa e ninguém reclamou. E mesmo se reclamasse não adiantaria nada. Tudo dentro da lei, na liturgia do cargo.

 

Seria um exagero comparar as disputas pelo poder no Congresso com as guerras de quadrilhas pelos pontos de venda de drogas nas favelas cariocas? Só porque uns vendem crack e cocaína e outros, privilégios e ilegalidades? Guerra é guerra, vale tudo na disputa pelos pontos de poder. Se um tiroteio é de balas, o outro é de números e nomes, mas sempre sobram balas perdidas. Mas, quando o cerco aperta, os dois bandos acertam um armistício: o verdadeiro inimigo é a policia. Ou, no caso do Senado, a opinião pública. Porque eles não temem a polícia. Nem a Justiça. Eles só têm medo de perder eleição.

 

Diante do pacto de não agressão entre os dois bandos, resta-nos confiar nos ódios, nas invejas e nos ressentimentos das legiões de apadrinhados que estão perdendo a boca e se vingando de seus traidores. Que muitas falas perdidas encontrem seus alvos.

 

Diante da certeza de que eles vencerão, que jamais pagarão por seus crimes, que continuarão ricos e corruptos, e até mesmo respeitáveis, resta-nos ridicularizar suas figuras toscas, seus figurinos grotescos, seus cabelos tingidos, suas caras botocadas. Para que suas esposas e amantes leiam, e seus filhos se envergonhem deles no colégio. Como nós nos envergonhamos todo dia.

 

 



Escrito por sergio menezes às 02h09
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